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Tudo começou como tinha que começar: um garoto sonha em ter uma banda de rock e sai procurando por outros garotos com quem possa dividir esse sonho. Acontece em Londres, Nova York, Dublin, Rio de Janeiro e - por que não? - Niterói. Pois era lá que, não faz muito tempo, estava Vitor Mansur, dedilhando sua guitarra e traçando planos na solidão do seu quarto. No colégio, ele foi encontrando sua turma. Aos poucos, foram chegando Humberto Alonso para assumir os vocais, Filipe Butanta para tocar o baixo, Yuri Homem com seus teclados e Luiss Lessa, o homem do ritmo, com sua bateria. E de repente não é que ele tinha uma banda? Pois é. Daí em diante, o caminho não foi muito diferente daquele de outras bandas de rock: eles começaram tocando covers em festinhas e, quando se deram conta, estavam compondo suas canções. Aí pinta a insegurança: será que elas sozinhas seguram o show? E com toda a confiança de quem é bem jovem e tem um sonho, eles arriscaram: iriam tocar as suas músicas, sim. E com elas, iriam cair na estrada, buscar um lugar ao sol, esse mesmo sol que ilumina tantas bandas de garotos que acreditaram em seus sonhos. Nastrada, esse ficou sendo o nome do grupo de rock dos meninos de Niterói. Mais do que um simples nome, um compromisso: o de que nada cairá do céu, de que o sucesso será fruto do dia-a-dia, do suor derramado em cima dos palcos, noite após noite com um dia de viagem no meio. Essa é a mais pura certeza desses jovens que aqui oferecem, de coração limpo, o seu primeiro CD: Direito de Sonhar. Antes de embarcar, algumas considerações: o Nastrada é uma banda do seu tempo. Em sua música é possível perceber um pedacinho de cada uma das conquistas artísticas de seus antecessores, com o profissionalismo que é a marca da nova geração de bandas. Não por acaso, quem assumiu o leme do estúdio em Direito de Sonhar foi Christiaan Oyens, parceiro de Zélia Duncan, produtor de Lulu Santos e músico das bandas de Marina Lima e Cazuza. Sua experiência foi ao encontro da ambição desses garotos que sabiam muito bem o que queriam: os palcos, o rádio, a estrada. Cada melodia, cada refrão, cada timbre foi cuidadosamente trabalhado para que se chegasse um disco que fosse tecnicamente perfeito, mas também verdadeiro. Um reflexo das vivências desses músicos que, como tantos jovens, buscam nos relacionamentos a plenitude da vida. "A paz um dia irá reinar", apostam eles em Direito de Sonhar, a faixa-título escolhida para abrir o disco. Nela estão resumidos os pontos básicos do Nastrada: pulsação, melodia e principalmente muita honestidade. A alegria de estar tocando transparece nos riffs de guitarra, nos climas armados pelo órgão à la Deep Purple... É rock mesmo. E como bom rock, ele se permite também algum suingue, que fica mais do que evidente na música seguinte, a funkeada Tão Distante, o primeiro capítulo do jogo amoroso que se desenrola ao longo do disco. "Por que brigar assim, se amar é ser feliz?", pergunta Humberto, carregando na entonação soul. É uma daquelas músicas prontas para o rádio - que, por sinal, volta no fim do disco, como faixa bônus em remix dançante de um mestre das pistas, o produtor Deeplick. A variedade musical de Direito de Sonhar se anuncia logo na terceira faixa, Aquilo Que Se Crê, rock cheio de melancolia, com pianão abrindo e muita guitarra para injetar emoção. Ela abre caminho para Ar de Solidão, balada movida a violão e percussões diversas, distribuídas entre os músicos. "E sem razão não pude ver as coisas como são", canta Humberto, numa das letras mais sentidas do disco. Aí é só virar a esquina e as guitarras estão roncando, ameaçadoras em Destino (Não Se Deixe Levar), outro daqueles rocks cheios de decisão do disco: "mas eu sei, o destino provou / que tudo tem sua hora / e a nossa chegou". A pegada funk-rock volta em Pra Sobreviver, música que fala dos sonhos perdidos das crianças jogadas na rua que "já sabem o que lhes espera". Mas há esperança, e ela está na delicada balada de piano Quando Vem o Amanhecer - "sou mais um sonhador, quero poder cantar", avisa o vocalista. Com violão de intenções flamencas, Sem Você volta a falar da distância: "eu me entreguei por causa desse seu olhar / agora vou te encontrar só pra dizer / o que vale a minha vida sem você?" E o sabor agridoce do amor enrolado persiste em Num Segundo, rock com guitarras indie e um refrão de bastante força emocional: "não há mais o que pensar / veja o mar você e eu / não há mais o que fazer". Enfim, porém chega a hora em que sol se abre em Direito de Sonhar, e ela é Toda Razão, rock acolhedor e melódico, de boas notícias: "tudo faz mais sentido se você segue o seu coração". Densa, a balada Do Outro Lado se escora apenas em uma guitarra limpa, uma cama de teclados e a garganta de Humberto para se anunciar como candidato a sucesso do disco. Que fecha sereno, violeiro, com Como Um Só, mais uma daquelas músicas em que todos os elementos concorrem para gerar um número favorito dos ouvintes de rádio. Sonhar não é proibido e o Nastrada está um todo o seu direito de vislumbrar o dia em que sua música estará tocando em todos os cantos do país. O primeiro passo da caminhada, esse Direito de Sonhar, foi dado. Cabe aos corações e mentes abertas acolher a música dos garotos de Niterói e fazer com que ela ganhe velocidade no asfalto. |